Em uma definição popular simplista, servo é aquele que presta serviço a outrem. Na ótica bíblica, servo é aquele escravo ou livre que presta serviço voluntário ou involuntário, de caráter civil ou religioso a quem exerce sobre ele domínio. No Antigo Testamento encontramos o termo ‘ebhed sendo empregado, por 799 vezes, com o sentido de escravo e servo. Na esfera civil esse termo era usado para referir-se desde os que sob diferentes formas tornaram-se escravos - Gn 14,1; Ec 2,7; Gn 15,3; Êx 22,3; 2 Rs 4,1; Lv 25, 39-43; Dt 24,7 - ­até os vários níveis de serviçais régios - Gn 21,25; 2 Sm 10,19; 1 Cr 18,2; Gn 40,22; 1 Sm 19,1; Nm 22,18. Já na esfera religiosa, esse vocábulo era aplicado em referência desde as pessoas que se relacionavam individualmente com Deus Sl 116,6; passando também em alusão ao povo de Israel - Is 42,19; e finalmente sendo aplicado como um título messiânico - Is 42,1. Neotestamentariamente o conceito de servo pode ser encontrado sendo expresso por meio dos vocábulos diákonos, hyperetes, leitourgos - leitourgikos e doulos. O texto do Novo Testamento emprega esses vocábulos no seguinte sentido: leitourgos e leitourgikos- sempre em conotação com as ações rituais-sagradas - Hb 1,14; 8,2; diákonos - é aplicado em sentido amplo - Mc 10,43.44; vindo com Paulo adquirir um sentido especificamente cristão - 1 Tm 4,6; hyperetes - possui em seu sentido etimológico e em algumas aplicações neotestamentárias o sentido de um ajudante, de um criado - At 13,5; porém em seu sentido clássico, como também em certas passagens do Novo Testamento, é aplicado para se referir a alguém comissionado a falar e executar as ordens de outro - 1 Co 4,1; e finalmente, doulos - é usado em sentido literal para escravo - Jo 8,35; e quase que exclusivamente para ressaltar a sujeição completa do cristão a Deus - Fp 1,1. Para Paulo parece-nos que o título de servo era o que mais o honrava, pois por várias vezes o encontramos assim se autodenominando - Rm 1,1. O apóstolo Paulo considerava Timóteo como seu filho - Fp 2,22, mas sempre evidenciando que ambos deveriam ser vistos como douloi Christos lesous, isto é, como ­escravos de Cristo Jesus, desse modo alguém que tinha um Senhor que os comprou - Ef 1,7, visto que outrora eram pecadores - Rm 6,17. Quando se emprega doulos, em Fp 1,1, quer se expor não uma idéia de servidão forçada ao Senhor, mas, sim, de laços espirituais que os mantinham voluntariamente presos a Cristo, como verdadeiros servos da orelha furada - Êx 21,5.6. Fica-nos claro que a mensagem proposta por Paulo é evidenciar que Timóteo e ele devem ser visto, como modelo de obreiro que conquista credibilidade junto ao povo, pois eles revelam que serviam com prazer - visto que serviam por amor e submissão a vontade de Deus, compreendendo que o homem verdadeiramente livre é aquele que se faz servo do Senhor - e com humildade - pois escreviam de escravos (pastores) para santos (igreja). Esta mensagem paulina é à vontade de Deus para nossas vidas, haja vista que a Palavra de Deus caracteriza explicitamente que o ministro crível é aquele que sabe que não é nada mais do que um servo - 2 Co 4,5. Porém tem ocorrido que alguns não têm humildade suficiente para reconhecer isso, esquecendo-se que somos chamados para servir a Deus, a igreja e ao próximo. Essa cegueira de entendimento tem levado muitos ministros a perderem a credibilidade com o povo. Por isso, urge que resgatemos a idéia de somos despenseiros, mordomos, servos; e que nunca nos esqueçamos quem somos nós, e quem é Deus, e quem é escravo, e quem é santo.